O termo establishment (ou “o sistema”) não se refere a um órgão oficial único, mas sim ao conjunto de elites e instituições que detêm o poder político, econômico e social de forma consolidada em uma sociedade. No Brasil, esse grupo é geralmente identificado por quatro grandes pilares: 

1. Elite Política 

Composta pelos detentores de cargos eletivos e pela burocracia estatal de alto nível.

  • Poderes da República: Membros da cúpula do Executivo (Presidência), Legislativo (Congresso Nacional) e Judiciário (como os ministros de tribunais superiores).
  • Partidos Políticos Tradicionais: Lideranças de legendas que possuem influência histórica na formação de políticas públicas. 

2. Elite Econômica e Financeira

Representa os grupos que financiam e influenciam as decisões de Estado para garantir estabilidade e interesses de mercado.

  • Empresários e Setor Industrial: Líderes de grandes corporações e federações de indústria e comércio.
  • Setor Financeiro: Grandes bancos e fundos de investimento que moldam as diretrizes econômicas do país.
  • Agronegócio: Lideranças rurais com forte lobby parlamentar (a chamada “Bancada Ruralista”). 

3. Instituições de Influência e Opinião

Órgãos que controlam a narrativa social e cultural.

  • Grandes Grupos de Comunicação: A mídia tradicional que pauta o debate público.
  • Intelectuais e Acadêmicos: Professores, pesquisadores e pensadores que ocupam postos em universidades de elite e think tanks.
  • Grupos Religiosos: Lideranças de grandes denominações com forte inserção na política partidária. 

4. Burocracia do Estado (“Deep State”)

Servidores de carreira em órgãos estratégicos que permanecem no poder independentemente do governo eleito.

IO establishment é frequentemente descrito como uma elite fechada e autosselecionada que atua para manter a estabilidade institucional e o controle sobre os processos de tomada de decisão, muitas vezes resistindo a mudanças externas drásticas.